Por algumas semanas, o ponto logístico das doações aos atingidos pelas inundações de maio de 2024, bem como o espaço de acolhimento, foram as universidades. Em Santa Cruz do Sul, a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), transformou o Auditório Memorial em um gabinete de crise, no qual o Vice-Governador, Gabriel Souza, esteve trabalhando. Em Lajeado, a Universidade do Vale do Taquari (Univates), esteve aberta para receber os desabrigados, contando também com um comitê de crise.
O Reitor da Unisc, Rafael Frederico Henn, relembra a ligação que recebeu do Vice-Governador, Gabriel Souza, na manhã de sábado. “Aí, no sábado pela manhã, o vice-governador me ligou, perguntando assim: Reitor, nós queremos visitar a universidade para verificar se pode ser uma sede do governo. Eu falei, prontamente: não tem problema. Liguei para a Andréia, liguei para o Heron e nós viemos para cá. Só que, quando ele disse isso, eu achava, e foi o que ele disse, que seria um escritório para a equipe, que ele ia ficar alguns dias. Mas, quando ele viu o tamanho da estrutura, ele viu o ginásio, ele viu o campo de futebol, ele disse: aqui vai ser a sede de tudo”.
Diante do cenário, as gestões superiores se viram com uma grande responsabilidade. Em Santa Cruz, inicialmente as doações eram encaminhadas ao Parque da Oktoberfest, mesmo local onde encontravam-se os desabrigados, mas, devido ao número crescente de donativos, o ponto de entrega foi transferido para a Universidade. A Vice-Reitora da Unisc, Andréia Rosane de Moura Valim, reflete sobre a necessidade de pensar e responder rapidamente aos acontecimentos. “Várias pessoas acionaram a universidade. Então, no dia primeiro, já fui de manhã cedo para o Parque da Oktober e já fiquei lá. Já vi a organização, já vi o que precisava, já fui entendendo. Depois, quando a gente entendeu que era uma coisa que ia prolongar e que precisaria mais tempo, todo mundo se mudou pra cá”.
Em Lajeado, a Univates comportou diversas empresas, que precisavam manter-se em funcionamento, forneceu água e luz, tudo isso ao mesmo tempo em que acolhia quem havia sido afetado. A Vice-Reitora, Cintia Agostini, ressalta o envolvimento de toda a comunidade acadêmica por meio do voluntariado. “Todos os cursos de alguma forma se envolveram. Os alunos da área da engenharia e da arquitetura começaram a ir voluntariamente, junto com os nossos professores, para fazer avaliação de imóvel, avaliação de casa, avaliação de ponte. Tudo isso aconteceu. Todo o exército ficou hospedado aqui. Exército, marinha, o pessoal da defesa civil, corpo de bombeiros. A gente teve mais de 300 pessoas instaladas lá no complexo, em sala de aula, dormindo, tudo aqui”.
Já a Reitora, Evania Schneider, reforça que, desde 2018, havia sido implementado um comitê de crise, que os auxiliou desde o período de pandemia, passando, inclusive, pelas inundações que afetaram fortemente o Vale do Taquari em 2023. “Eu acredito que o que não nos deixou mais desesperados, vamos dizer assim, é justamente que nós já tínhamos um comitê de crise instalado na instituição. Mas para nós, 23 foi o aprendizado”, finaliza.