Plataforma + Vales: dados meteorológicos em tempo real para decisões mais seguras e inteligentes nos Vales

Em um território cada vez mais exposto a eventos climáticos extremos, a Plataforma + Vales nasce como uma resposta concreta à necessidade de integrar informação, tecnologia e cooperação regional. Estruturada a partir de uma rede de estações meteorológicas

Por Maria Eduarda Rockenbach Dullius e Fernanda Ost

Fonte: Site da Unisc.
Imagem: Estação Meteorológica situada na Unisc, em Santa Cruz do Sul/ RS

Em um território cada vez mais exposto a eventos climáticos extremos, a Plataforma + Vales nasce como uma resposta concreta à necessidade de integrar informação, tecnologia e cooperação regional. Estruturada a partir de uma rede de estações meteorológicas distribuídas em diferentes localidades da Região dos Vales do Taquari e Rio Pardo, a iniciativa coloca dados confiáveis e atualizados em tempo real a serviço da sociedade. Essas estações que compõem a plataforma foram adquiridas por meio de editais do Programa TEC4B da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (SICT/RS), que aportou recursos financeiros para o projeto Living Agro+Vales e Living Vales, laboratório vivo para o desenvolvimento de cidades inteligentes e sustentáveis situado na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc).

Leonel Pablo Tedesco, professor da Unisc e coordenador do Living Vales, explica que em 2022 já idealizava a possibilidade de construção de uma rede regional para monitorar chuvas, calor e ventos por meio de sensores territoriais conectados com as bacias hidrográficas da Região dos Vales. Com o projeto pronto e aprovado em 2023, solicitou remanejamento de recurso e, em 2024, liberação de mais recursos pelo projeto Living Agro + Vales, totalizando 13 estações meteorológicas. Dessa forma, a ideia já vinha sendo alicerçada anteriormente aos eventos climáticos severos de maio de 2024, mas foi redirecionada para contemplar essa nova e tão importante demanda.

Por meio do site da Plataforma + Vales, é possível acompanhar, em tempo real, uma série de medições ambientais essenciais, como temperatura e umidade do ar, pressão atmosférica, radiação solar, velocidade e direção do vento e volume de chuvas. Essas informações qualificam a tomada de decisão em múltiplas frentes, especialmente nos processos produtivos da agricultura, no planejamento urbano e na gestão energética. Além do apoio ao desenvolvimento econômico, a plataforma desempenha um papel estratégico na prevenção e no alerta sobre eventos extremos. Ao tornar os dados acessíveis e compreensíveis, as estações meteorológicas contribuem para que gestores públicos, entidades e a própria população possam se antecipar a riscos, planejar respostas e reduzir impactos de situações críticas, como estiagens, temporais intensos e enchentes.

O professor salienta que há duas formas de visualização dos dados: “Uma para a população em geral, em que o usuário acessa, pelo site da Unisc, informações referentes à estação meteorológica de sua preferência. Outra visualização é direcionada para defesa civil ou secretarias das prefeituras, pois requer senha e login para obter acesso a dados mais técnicos.”

Mais do que uma ferramenta técnica, a plataforma é um convite à participação cidadã. O acesso e o uso estratégico dessas informações fortalecem o desenvolvimento social, econômico e ambiental das cidades da região, promovendo uma cultura de prevenção, planejamento e tomada de decisão baseada em evidências. Ao integrar tecnologia, território e cooperação, o projeto se consolida como uma inovação essencial para os Vales, um recurso que transforma dados meteorológicos em um ativo coletivo para um futuro mais resiliente.

Fonte: Plataforma + Vales

Leonel também destaca o trabalho colaborativo com as prefeituras, segundo ele, é “uma parceria que funciona bem, visto que tem uma série de detalhes que são fundamentais para a instalação das estações, como uma base concretada para fixar o equipamento, ponto com internet e roteador, proximidade de um prédio público que receba os dados por transmissor, parceiros responsáveis pelo zelo e bom funcionamento.”

Projetos como este reforçam a importância da inovação aplicada ao território e da articulação entre os diferentes atores do poder público, empresas, pesquisadores e comunidades. Essa integração é fundamental para que os dados coletados se convertam em conhecimento útil e ações efetivas. Segundo Leonel, “a perspectiva é prosseguir e ampliar o alcance com a instalação de mais estações, em parceria com empresas privadas, bem como aperfeiçoar a visualização dos dados na plataforma, com interfaces simples para acesso da comunidade e comunicação eficiente, além da inserção de novas aplicações, dados e modelos para embasar decisões futuras e estratégias relacionadas aos fenômenos climáticos.”
Mais informações e contato: https://maisvales.unisc.br/

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