Diante das lições aprendidas, Lajeado está criando núcleos comunitários onde a defesa civil ouve as necessidades da população. A cidade também está compartilhando seu plano de contingência com outros municípios, promovendo uma colaboração regional inédita. O objetivo é buscar soluções conjuntas, como a reconstrução de áreas de risco transformadas em parques e a obtenção de recursos federais e estaduais para todos os municípios do Vale. A tragédia, segundo a prefeita, uniu a região em um objetivo comum: “todos os municípios estão falando e nós queremos a mesma solução para todos”.
As enchentes mudaram a forma como a prefeitura de Lajeado se relaciona com a população e com o voluntariado, buscando alternativas para lidar com a gestão de crise, sempre unindo tecnologia e humanidade. Glaucia Schumacker destaca que a tragédia ensinou a necessidade de um planejamento detalhado, que vai além do básico. A gestão do voluntariado foi um aprendizado significativo, com a criação de espaços separados para doações e para as pessoas abrigadas.
Além disso, houveram de desafios logísticos, como a organização da alimentação nos abrigos, que agora conta com “tarjetas” para contar o número exato de pessoas e evitar o desperdício de alimentos. A tragédia evidenciou a importância de integrar o trabalho dos voluntários com o planejamento oficial, evitando desencontros. Segundo Glaucia, construir em conjunto com a comunidade é a única forma de superar uma tragédia, e a união entre poder público e população é fundamental: “Você tem que construir em conjunto, a gente vê que sozinho você não consegue superar uma tragédia.
A prefeita também compartilha um momento marcante: a necessidade de medir a cota da cheia, já que todas as réguas haviam sido destruídas. Com um barbante e esmalte, ela e sua equipe marcaram os níveis da água nas paredes, fornecendo uma medição crucial para acompanhar a velocidade da enchente. A prefeita descreve o momento em que viu as barricadas de areia no hospital , uma imagem “muito impactante”, que trouxe a sensação de que o fim estava próximo. No entanto, a resiliência e a proatividade foram essenciais para lidar com a situação.
“um fato que me marcou muito na enchente de maio de 2024 foi que nós tínhamos instalado uma régua aqui na ACIL, que ia até 28 metros. E daí nós vimos que vai passar e nós não temos mais medição (…) Com um barbante a gente começou a medir. Então a gente foi até a esquina com esse barbante, foi medindo metro a metro e começamos a subir a Júlio, até a esquina, no topo ali. Subimos duas esquinas e com um esmalte, daí já tinha apagado as luzes, já tinha caído as luzes aqui toda na cidade, nós estávamos com foco [lanterna], já tinha anoitecido, não tinha luz nenhuma. E nós fomos marcando com esmalte nas paredes. Aqui vai dar 30, aqui vai dar 31, aqui vai dar 32, e aqui vai dar 34. Nós falamos, aqui nós vamos parar, não vai chegar a 34. Daí estava lá em cima, no topo, e nós marcamos. E chegou a 33,35. E essa foi a medição da enchente de Lajeado. Essa medição que se fez de esmalte”