
Os radialistas Aline Silva e Rodrigo Martini abordam a complexidade de manter o profissionalismo em meio à própria vivência da tragédia. Rodrigo explica que, apesar do treinamento no jornalismo para não deixar a emoção tomar conta, a realidade era avassaladora: “A gente enxergava os corpos chegando”. E ainda, muitos repórteres tinham suas próprias casas e famílias afetadas. No entanto, prevalecia o compromisso com o coletivo: “Ninguém levava isso para o ar. Ninguém fica se vitimizando. Era em prol do coletivo. Em prol do Vale do Taquari”.
Aline relata a dor de ter que informar àqueles que pediam socorro que não haveria resgate nas próximas horas. A preocupação era não desesperar as pessoas, mas incentivá-las a criar seus próprios planos de sobrevivência. Ela compartilha a história de um colega que, ao ouvir a orientação na rádio sobre “quem vai ser o líder”, se tornou o líder em sua família e conseguiu sobreviver.

A experiência das enchentes trouxe importantes aprendizados. Aline, que também é professora, percebeu a necessidade de uma educação básica sobre a resposta do rio e as cotas de inundação, mesmo para quem não vive em áreas de risco. Ela acredita que a comunidade precisa entender a riqueza do Taquari e a resposta do rio.
Rodrigo destaca a valorização da comunicação profissional e responsável. Ele alerta para o excesso de informação e as fake news, que podem gerar pânico e atrapalhar o trabalho de resgate. A tragédia também ressalta a importância de cobrar das autoridades o investimento em monitoramento e em casas populares para as áreas de risco.
Para os radialistas, o reconhecimento do trabalho foi gratificante, mas a memória da catástrofe impede a celebração. Como diz Rodrigo: “eu não tenho dúvida que conversar com qualquer repórter aqui, que é reconhecido na rua, qualquer um trocaria todo esse reconhecimento por uma enchente de 23 metros”. O objetivo principal era e continua sendo auxiliar a comunidade e, nesse aspecto, a comunicação e os veículos de rádio do Vale do Taquari e Rio Pardo cumpriram um papel insubstituível, não só informaram, mas inspiraram, deram forças e, acima de tudo, se mostraram, essencial em um momento em que a esperança parecia ter se perdido. Os radialistas foram a luz no fim do túnel, mostrando que a informação de verdade salva vidas e acende a esperança. Foram as vozes que abraçaram os Vales!