A “Cozinha Solidária” da Linha de Frente: O Apoio Invisível aos Voluntários no Resgate de Animais

Entrevista realizada com Gabriela Jacobs, sócia do Barbudas Bar, de Santa Cruz do Sul.

Entrevista realizada com Gabriela Jacobs, sócia do Barbudas Bar, de Santa Cruz do Sul.

A enchente de maio de 2024 mobilizou a iniciativa privada de formas diversas, e uma delas foi a transformação de negócios em bases de apoio logístico para o voluntariado. É o caso de Gabriela Jacobs, Sibele e Roberta Lersch que, diante da crise, optou por fechar as portas de seu bar e canalizar a energia da sua equipe para uma “cozinha solidária”.

Embora o bar não tenha sido afetado pela água, a crise impactou o negócio financeiramente, resultando em um mês de quase nenhum faturamento e a necessidade de recorrer a financiamentos estaduais. Contudo, a motivação para ajudar superou as dificuldades, impulsionada pela “parte humana” e pelo entendimento de que “de pouco em pouco a gente consegue bastante”.

Em vez de arrecadar ração ou cobertores, as três sócias identificaram  uma necessidade estratégica: a alimentação dos próprios voluntários que atuavam no resgate de animais. Em parceria com a ONG Protetores, que estava cuidando dos animais em um dos pavilhões do Parque da Oktober, a equipe se dedicou a uma frente de trabalho contínua: a produção diária de lanches.

Com a cozinha e equipe prontas, eles mobilizaram a arrecadação de fundos para comprar insumos e fizeram sanduíches “por muitos e muitos dias”, entregando-os no fim de tarde para que os voluntários pudessem se alimentar. A qualidade dos sanduíches foi tão marcante que se tornou conhecida pelos voluntários como o “sanduíche da enchente”, gerando demanda e motivando o grupo a continuar a arrecadação. A experiência destacou a importância da ação coletiva, mostrando que a dimensão do auxílio só foi possível porque “um grupo de pessoas” se uniu para ajudar. Gabriela reforça que, para além da ação imediata, é crucial encarar o voluntariado como um compromisso.

Ela critica a visão de que o voluntário está “fazendo um favor”, defendendo que o trabalho voluntário exige a mesma seriedade de qualquer outro, pois a palavra e a dedicação do indivíduo são a base desse compromisso. A ação de Gabriela Jacobs e sua equipe se torna, assim, um exemplo de como o setor privado, ao aliar sua capacidade operacional à solidariedade, pode se tornar um pilar de apoio essencial na retaguarda da linha de frente.

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