Além do atendimento emergencial e do suporte direto à população, as universidades passaram a atuar também na reconstrução das áreas afetadas, contribuindo com conhecimento técnico e científico. A crise evidenciou a importância de pensar o processo de reconstrução de forma planejada, baseada em dados e pesquisas, evitando soluções improvisadas que possam gerar novos riscos no futuro.
Na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), a atuação se deu a partir da articulação com gestores públicos da região. Segundo o Reitor Rafael Henn, a instituição reuniu prefeitos e especialistas da área ambiental para discutir os caminhos da reconstrução com base científica. “Nós chamamos todos os prefeitos da região. Na nossa área ambiental, para que o processo de reconstrução fosse discutido de uma forma científica, para não fazer de qualquer forma”, afirma.
A vice-reitora Andréia Rosane de Moura Valim destaca que, além da elaboração de protocolos, o desafio está em garantir que as diretrizes se transformem em ações concretas para a população. “Dessa perspectiva agora, que a nossa maior preocupação é, tendo protocolos que o Governo contratou, como isso se traduz em realidade para as pessoas? Essa é a pergunta maior que fica.”, explica.
Na Universidade do Vale do Taquari (Univates), o fortalecimento da ciência aparece como um dos principais legados da crise. Para a vice-reitora Cintia Agostini, o momento reforçou a importância da universidade como espaço de produção de conhecimento aplicado. “Acho que tem uma dimensão que é fundamental para nós enquanto universidade: o fortalecimento da ciência. Essa, para nós, tem sido, talvez, a defesa que a gente sempre fez do que se constrói enquanto ciência. Ela, na concretude, se mostra para as pessoas”, ressalta.
Na mesma linha, a Reitora Evania Schneider avalia que o contexto contribuiu para ampliar a credibilidade da academia junto à sociedade e ao poder público. “Para a academia passou-se a dar mais credibilidade ao trabalho, principalmente, da pesquisa. A comunidade, a sociedade, o poder público começaram a valorizar bem mais a academia e a entender que é preciso olhar para a ciência”, finaliza.