Articulação e Logística da Solidariedade

O Grupo do Bem, com mais de 20 anos de atuação em Santa Cruz do Sul, demonstrou uma capacidade de resposta e articulação logística extraordinária durante as enchentes de maio de 2024.

O Grupo do Bem, com mais de 20 anos de atuação em Santa Cruz do Sul, demonstrou uma capacidade de resposta e articulação logística extraordinária durante as enchentes de maio de 2024. A experiência adquirida em eventos anteriores, como a enchente de 2023, que afetou o Vale do Taquari, foi crucial para a mobilização do grupo. Realizamos a entrevista com a presidente da Associação Luciana Tremera que contou como foi todo o processo.

Com o início da tragédia, o grupo utilizou inicialmente sua sede no Pavilhão da Comunidade de Ressurreição. Devido ao volume massivo de doações, que não cabia mais no subsolo, foi necessário abrir o andar de cima do pavilhão. Em 9 de maio, a operação se expandiu para outros dois grandes pavilhões em Linha Santa Cruz: o antigo Crow/CVI e o da comunidade evangélica, totalizando três pontos de recebimento e triagem.

A articulação do Grupo do Bem ultrapassou as fronteiras municipais e estaduais. O grupo recebeu carretas e caminhões de doações de oito estados brasileiros, incluindo grandes caravanas como a vinda de Concórdia, organizada por Padre Ezequiel Dal Pozzo. A coordenação de Luciana Tremea e sua equipe transformou os pavilhões em grandes centros logísticos. Em dias de pico, chegaram a ter mais de 300 voluntários trabalhando, com a ajuda de escoteiros na triagem e o uso de empilhadeiras para carga e descarga de materiais.

A distribuição não se limitou a Santa Cruz do Sul. O Grupo do Bem enviou doações para 73 municípios do Rio Grande do Sul, abastecendo frequentemente áreas da Grande Porto Alegre e cidades como Eldorado do Sul. A organização também foi vital para a chegada de ajuda especializada: conseguiram três geradores de alta potência (80 KVA) do oeste de Santa Catarina, que foram destinados a hospitais de Rio Pardo e, com o apoio da Marinha, içados por helicóptero para Roca Sales e Muçum, onde o acesso por terra estava bloqueado.Além do apoio imediato com cestas básicas, roupas, móveis e louças, o grupo se comprometeu com a reconstrução a longo prazo. Um exemplo notável foi a Escola Glória, em Sinimbu, onde o Grupo do Bem investiu quase R$ 100 mil na reforma de pisos, pintura, limpeza, móveis de cozinha, escaninhos e computadores. Eles também auxiliaram na reconstrução de casas em Rio Pardo e apoiaram 29 famílias do bairro Passo de Estrela, em Cruzeiro do Sul, que estavam recomeçando. A compra de insumos, como sal vindo de Chapecó e medicação de Passo Fundo, demonstra o nível de engajamento e a rede de parcerias estabelecida para suprir as necessidades da crise.

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