O Miva entrevistou Aline Silva e Rodrigo Martini, radialistas das rádios Independente e A hora. Eles compartilharam suas perspectivas sobre o papel crucial da imprensa nesses momentos. Aline, que é responsável em falar sobre o clima, ressalta a diferença entre a enchente de setembro de 2023 e a de maio de 2024. Em 2023, a região foi pega de surpresa: “Em setembro a gente descrevia, tentava descrever, alertar algo que a região nunca tinha vivido. Então era muito difícil de acessar esse lugar na comunicação”. Já em maio de 2024, a memória recente de setembro ajudou a comunicação a ter um “norte”, com alertas mais bem desenhados e melhor comunicação com a defesa civil.

Um dos pontos mais importantes levantados pelos radialistas é a volta do rádio a pilha como principal meio de comunicação. Quando tudo parou – luz, internet, celular – ele foi a salvação, o único elo com o mundo lá fora. Com a queda de energia, internet e telefonia, o rádio tornou-se a única fonte de informação para muitos. Rodrigo enfatiza: “Para a comunicação, foi uma grande marca. Foi a enchente da retomada. O Radinho a Pilha voltou a ser uma coisa… Ganhou a importância que ele tinha lá em 1920, 1930. Quando ele era o único meio de comunicação”.
A responsabilidade dos comunicadores era imensa, pois muitas pessoas dependiam exclusivamente da rádio para saber o que estava acontecendo e como agir. Aline lembra que “boa parte dos primeiros salvamentos aqui, dos resgates que chegavam no parque, se davam através da comunicação pela rádio, porque nós não tínhamos planos estruturados”. As pessoas pediam ajuda diretamente à rádio, que se tornou o ponto de referência para a comunidade.
Porém, um desafio constante foi combater a desinformação e a descrença da população. Em setembro de 2023, havia uma “descrença das pessoas de que se pudesse repetir o cenário de setembro”. O Rodrigo contou sobre a fake news da barragem que ia subir “6 metros” – a gente foi atrás da verdade, com especialistas, e evitou um pânico ainda maior. Aline também reflete sobre a importância de controlar a própria reação. Ela contou que pensava: “Eu estou desesperada. E aí eu me dou conta que as pessoas também poderiam se desesperar pela imagem que a gente estava transmitindo”. O corpo fala, e o desespero de um comunicador poderia ser o fim para o ouvinte. Em maio, ela se esforçou para se manter “o mais neutra possível”.